quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O sono de um anjo


Quando ela dorme, como dorme a estrêla,
nos vapôres da tímida alvorada,
e a sua doce fronte extasiada,
mais perfeita que um lírio, e tão singela,

tão serena, tão lúcida, tão bela,
como dos anjos a cabeça amada,
repousa na cambraia perfumada,
eu velo absorto o casto sono dela.

E rogo a Deus, enquanto a estrêla brilha,
Deus que protege a planta e a flor obscura,
e nos indicado futuro a trilha,

Deus, por quem tôda a criação se humilha,
que tenha pena dessa criatura,
dêsse botão de flor -- que é minha filha.

Luís Guimarães Júnior
(Extraído do livro Língua Pátria de 1964 organizado por Maximiano A. Gonçalves)


Minha mãe voltou hoje da escola com esse livro e me 'presenteou' com esta linda poesia, fiquei felicíssima, foi um gesto tão simples e de uma beleza sem igual. Era tudo que eu precisava para encerrar meu dia, um dia que foi tão intenso, recheado de emoções fortes e muita tosse (estou com brônquite!), no fim da noite recebo um carinho destes, dessa mãe que é tão única e especial. Obrigada Deus por TUDO que tens me dado, inclusive as provações, pois é através delas que consigo evoluir.



domingo, 6 de setembro de 2009

Localização do Ponto G

Estava eu bem bela e faceira na madrugada deste sábado pra domingo, com a TV ligada e vadiando na internê, conversando com o Ximia, lendo uns 'bróg's', fuçando na vida alheia via orkut e me atualizando sobre minha linda amiga Bruna Moreira, que por uma baita injustiça não foi eleita Rainha da Festa Uva. Sim eu estava fazendo todas essas coisas ao mesmo tempo, afinal eu sou mulher e consigo despender atenção a mais de um assunto por vez. :P
Na TV passou um filme bom chamado Um bom ano e depois veio o Altas Horas, uma das entrevistadas foi a Maitê Proença, licença pra declarar minha profunda admiração por esta mulher, além de ser linda ela é super inteligente e escreve com uma maestria singular, recomendo Uma Vida Inventada.
*2 parágrafos de introdução pra contextualizar o tema do texto que escrevo! Quanto prolixidade.*
Graças a uma frase que a Maitê citou, agora finalmente descobri onde fica esse tão famoso Ponto G:

“As mulheres gostam que lhes digam palavras de amor. O ponto G está nos ouvidos. Inútil procurá-lo em outro lugar.”

É uma baita verdade! Qualquer mulher fica toda molinha com um elogio sincero, um galanteio, uma palavra de carinho no meio de uma tarde enfadonha de terça-feira.
É afrodisíaco! Mais que gengibre. ;)
Não sei se os homens não tem a real noção do valor de um galanteio ou só são economicos em seu uso.
Uma palavra bem colocada e bem dita abre portas, serei mais sincera, se muito bem dita, com verdade e carinho, abre pernas também.
Não há como resistir um homem que tenha um bom papo, que elogie sem ser piegas, que não tem medo de falar o que sente, que se esforça em agradar com o que diz, que demonstra carinho, amor e tesão por meio das palavras.
Impossível não ficar arrepiada com uma voz masculina falando algo ao pé do ouvido.

Outro motivo que me fez refletir sobre o ponto G foi o fato de ter recebido uma carta, sim, eu disse uma carta, aquelas escritas a mão numa folha de caderno, é algo antigo e de uma beleza singular.
*O que dizia a carta?
Isso é pessoal, só interessa a destinatária e ao remetente, mas posso dizer que eram palavras de carinho, tinha elogio, dica de livro e muita vontade de materializar o que até agora tem sido virtual. Tinha também um desenho de uma flor.
*Que reação a carta provocou?
Me deixou hiper, mega, ultra feliz, tive sintomas físicos também, estou até agora tremula e há borboletas no meu estômago!

Pra mim a palavra escrita pode sim ter o mesmo efeito da palavra falada, pois eu visualizo a cena, quase consigo sentir o calor de seu hálito roçando meu pescoço e a sensação de calor percorrendo todo meu corpo!
Em dias de internet e longas conversas via msn até a imaginação teve que se adaptar!

Então fica a dica para meninos e meninas, escrevam sobre seus sentimentos, escrevam tanto para enviar ou apenas pra registrar. Você pode achar meio estranho no começo, depois só piora, mas os psicólogos adoram, na pior das hipóteses procure um e mostre seus escritos, suas palavras dirão muito sobre você.
Meninos lembrem: falem para as meninas as coisas boas que vocês gostam nelas, não escondam seus sentimentos, pois a maioria de nós meninas não temos bola de cristal e também adoramos ouvir vocês falarem.

Acho que conseguirei dormir depois deste texto.
Outra função da palavra, você joga no 'papel' aquelas palavras que estavam se aboletando dentro do peito, ocupando espaço e o deixando mais pesado.

A paz de Cristo esteja conosco!

domingo, 30 de agosto de 2009

Doida e Santa

"Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.

...

De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como fecharei, se não for santa?"
Adélia Padro

Li estes versos na crônica Doidas e Santas da Martha Medeiros e fiquei a pensar na minha vida, nos meus amores, nas minhas escolhas.
Nos dias atuais tenho estado feliz e sei que é por estar me permitindo ser um pouco mais doida que o normal, a minha falsa e comoda santidade nunca me levaram nem até a esquina.
Na verdade a minha doidice sempre foi história pra boi dormir, eu sempre me comportei super bem, fiz poucas loucoras dignas de serem registradas e no campo amoroso nunca quis me aventurar, sempre me pareceu um terreno muito inseguro, nunca se tem certeza de nada.
Continuo concordando comigo mesma, mas hoje em dia o medo de quebrar a cara, o medo da decepção, o medo do olhar do outro são menores. Ainda sou uma medrosa amorosa, mas em recuperação.
O tratamento tem dado certo, apesar do método ser vitual, tem removido aos poucos as camadas que me protegiam de mim mesma.
Eu abri minha janela num surto de loucura e agora não tenho mais vontade de fechá-la, pois por essa janela entram carinhos, palavras amorosas, brisa do mar, mas o que eu mais queria é que o dono desses carinhos, dessas palavras entrasse e nunca mais fosse embora. Fizesse de mim seu território.
Quem sabe o que me aguarda depois daquela curva? Quem sabe o que o DEUStino me reserva? Quem sabe se logo não estarei num avião com destino a cidade maravilhosa?
Afinal eu sou uma doida em fase de aprendizado e uma santa em recuperação.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Tatuagem 2

Minha segunda tatuagem é um versículo:
"Tudo posso Naquele que me fortalece." Fp 4.13

Resolvi fazê-la depois da cirurgia cardíaca que minha mãe foi submetida, foi uma grande provação pra todos, principlamente pra nós duas, foi uma experiência renovadora, onde podemos nos aproximar mais, ser mais mãe e filha.
Ficar dentro de um hospital por um mês foi algo super interessante, muitas pessoas acham um ambiente deprimente, no entanto tentei encarar pelo lado bom da coisa, é um lugar onde pessoas trabalham pelo bem estar das outras, tentam diminuir a dor do próximo. Ver profissionais realmente comprometidos com o seu trabalho é inspirador.
Claro que não é um lugar pra passar férias!
Nos dias que passei lá pude comprovar que não passamos de poeira, ver minha mãe agonizando e não poder fazer nada pra aliviar a sua dor é cruel, é um sentimento transformador.
Pude fazer amizades lá dentro também, a dor apesar de nos fragilizar, ela também nos paroxima.

E por tudo isso, resolvi tatuar no pé este versículo, pq sempre o mentalizei quando preciso de força e sabedoria.

Tatuagem



Minha primeira tatuagem!
É uma Rosa de Lutero.
Significado:
*A cruz preta, no centro da rosa, lembra que em Jesus o próprio Deus vem ao nosso encontro, sacrificando sua vida e vencendo o poder da morte em nosso favor, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3.16).

* A cruz preta, envolvida pelo coração vermelho, significa que Cristo agiu na nossa vida através da cruz. A nossa vida recebe um novo sentido. Ele é o mais importante. A partir dele todas as coisas e pessoas recebem seus devidos lugares e seu valor. O coração nos faz recordar que é pela fé que somos justificados. A cor vemelha é símbolo do amor que se doa e reparte. Assim como Cristo nos amou, também os seus se amam uns aos outros. Assim como Cristo serve aos seus, eles servem uns aos outros, cada qual conforme o dom que recebeu (Gálatas 6.2).

* As cinco pétalas brancas assinalam que, pela fé, atuante em prol da justiça e da paz, temos alegria, consolo e paz com Deus, conosco mesmos e uns com os outros. Quando a cruz de Cristo tem lugar em nossa vida, ocorre uma transformação. O reino de Deus se faz presente com todas as suas promessas.

*O fundo azul lembra o céu e aponta para a fidelidade de Deus. Deus está conosco. Em Cristo ele nos veio salvar e unir em comunidade. Podemos viver com e para Deus, como sinais de seu reino, já aqui e agora. A cor azul é também esperança no futuro, pois lembra a eternidade.

* O anel dourado lembra o ouro, metal mais precioso. Este anel representa as dádivas que recebemos através da cruz e ressurreição de Jesus. Pela fé recebemos perdão, comunhão, esperança, sentido de vida, o pão de cada dia... Aponta também para aquilo que, na eternidade, nos será dado: alegria sem fim, satisfação de todas as nossas necessidades e anseios. Então veremos, face a face, aquele no qual temos crido.

Fonte: http://www.luteranos.com.br/categories/Quem-Somos/Nossa-Hist%F3ria/Martim-Lutero/Rosa-de-Lutero/

Muito mais que um símbolo religioso a Rosa pra mim é uma marca registrada, onde professo minhas crenças.
Diz a Bíblia Sagrada: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (I Coríntios 3:16–17)
A lógica é a seguinte meu corpo é um templo de Deus, todo templo tem uma uma placa o identificando, logo o meu 'templo' precisava de uma placa, por isso a tatuagem!

domingo, 23 de agosto de 2009

Ser estranha²

Após conversar com meu caro Vini e refletir sobre os conceitos de normalidade, lembrei de um termo que se usava há pouco tempo: 'Pessoas ditas normais', seriam aquelas sem deficiência aparente, não se usa mais pq subentende-se que as pessoas com deficiência seriam 'anormais'.
Fiquei pensando que se as pessoas sem deficiência aparente são ditas normais, eu não me encaixo, pq revisitando minha caminhada até aqui eu me considero uma 'dita estranha', vou contextualizar com alguns exemplos que me levaram a esta conclusão:
- Fui uma criança que só mamou no peito, nunca aceitei a mamadeira;
- Fui criada pela minha mão, não fui pra 'creches', no interior do Mato Grosso;
- Tem o história de eu ter 'brincado' com uma jararaca com 6 meses de idade, eu já gostava do riscado desde sempre. :))))
- Quando nos mudamos pra Bento, estudei numa escola de sistema integral (ficava o dia todo na escola);
- Na 4ª série fiquei numa turma de repetentes, onde eu era a caçula e a única não repetente, a mais baixinha e a cdf; apanhei, mas acabei ficando amiga da menina que me batia, afinal se não pode com eles junte-se a eles, ganhei uma guarda-costas;
- Sempre me virei sozinha, pelas circunstâncias da vida cedo aprendi que eu tinha que ser independente, pois meus pais trabalhavam pra caramba pra nos sustentar;
- Cresci sabendo que não podia preocupar minha mãe, pq ela tem problemas cardíacos;
- 'Evitei' com muitos berros a separação de meus pais aos 7 anos, fui coagida a tal atitude, mas isso tb não importa;
- No ensino fundamental não era a menina mais bonita, mas tinha os melhores amigos, os meninos mais bonitos e legais. Como eu consegui isso? Eu contrabandeava Playboy pros meninos;P
- Aprendi a falar sobre sexo com eles, e assim o sexo masculino já não era algo tão distante, era algo apenas diferente;
- Tb tenho amigas desta época, mas o meninos é que deram mais trabalho pra fidelizar;
- Ganhei, com um dia de antecedência de presente de 11 anos o Arthur, irmão muito esperado, lindo, nunca vi um bebê tão lindo quanto ele, nasceu cabeludo e veio pra abalar as estruturas e mudar tudo. Hoje com 10 anos está entrando na pré-adolescência, não é mais o meu bebê fofinho, mas continua lindo;
- No início da 8ª série nos mudamos pro Mato Grosso, pra uma fazenda totalmente afastada, sem nenhum meio de locomoção, a não ser uma égua e um trator CBT tri velho. Foi o mês mais comprido da minha vida, hoje quando relembramos parece que foi um ano;
...

Continuarei este texto, agora tenho que secar o cabelo, afinal o climatempo ta dizendo que lá fora faz 12°, mas a sensação térmica é menor com toda certeza e eu tô me curando de uma infecção respiratória.
E também vou me arrumar pra ir ao culto, faz muito tempo que não vou e hoje é o dia.
Que Deus nos abençoe!
Votos de bom domingo

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Inclusão

Inclusão é um tema fascinante, aviso aos navegantes: vicia, depois de gostar, não se abandona mais.
Eu fui apresentada a este novo mundo pelas mãos de fada da Prof.ª Andréa Sonza - hoje doutora em acessibilidade na Web - em 2005, desde lá só tem aumentado meu amor pela causa.
Neste tempo todo pude desfazer certos mitos, como que pessoas com deficiência são coitadinhos, "lá vai o ceguinho", "coitado é doidinho", todos os inhos são horrendos. Ou então se pinta uma imagem de super heróis, algo que não engloba toda a classe, apenas alguns conseguem superar tudos e todos e aparecer na grande mídia.
A maioria das pessoas com deficiência são como nós (pessoas sem deficiência aparente), acordam, passam o dia enfrentando várias dificuldades e voltam pra casa no fim do dia.
Querem ter meios para uma vida digna!
O que é ter meio para uma vida digna e produtiva?
- É ser acolhido com respeito na rede escolar;
- É ser assistido pelo Estado, se necessário;
- É ter direito a laboralidade, com um ambiente de trabalho acessível e e suas individualidades respeitadas;
- É ter direito a livre locomoção, com espaços onde todos possam frequentar; etc.
É utópico esse pensamento?
Acredito com muita fé que não, acredito sim ser um processo histórico, hoje construímos um amanhã mais acessível, e um dia não precisaremos discutir Inclusão, pois ela será a realidade.
Vejo uma sociedade onde os prédios terão rampas e elevadores, onde as os jardins de infância tenham crianças conversando atraves da LIBRAS, correndo com cadeirantes, tateando os espaços com os coleguinhas cegos.
Enfim, pinto um belo quadro e gostaria muito que ele fosse exposto em breve, espero estar viva pra ver isso acontecer e desde já contribuir com meus conhecimentos e esforços.
Pense Inclusivo, pense em Educar para a Convivência.
Comece pela mudança do seu olhar, olhe o outro como igual na sua diferança!
E no caso de encontrar uma pessoa com deficiência pergunte: "Posso ajudar?" Ele lhe dirá se preciso for e a melhor forma de ajudá-lo.
Abraços inclusivos!!!!!