quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Tatuagem 2

Minha segunda tatuagem é um versículo:
"Tudo posso Naquele que me fortalece." Fp 4.13

Resolvi fazê-la depois da cirurgia cardíaca que minha mãe foi submetida, foi uma grande provação pra todos, principlamente pra nós duas, foi uma experiência renovadora, onde podemos nos aproximar mais, ser mais mãe e filha.
Ficar dentro de um hospital por um mês foi algo super interessante, muitas pessoas acham um ambiente deprimente, no entanto tentei encarar pelo lado bom da coisa, é um lugar onde pessoas trabalham pelo bem estar das outras, tentam diminuir a dor do próximo. Ver profissionais realmente comprometidos com o seu trabalho é inspirador.
Claro que não é um lugar pra passar férias!
Nos dias que passei lá pude comprovar que não passamos de poeira, ver minha mãe agonizando e não poder fazer nada pra aliviar a sua dor é cruel, é um sentimento transformador.
Pude fazer amizades lá dentro também, a dor apesar de nos fragilizar, ela também nos paroxima.

E por tudo isso, resolvi tatuar no pé este versículo, pq sempre o mentalizei quando preciso de força e sabedoria.

Tatuagem



Minha primeira tatuagem!
É uma Rosa de Lutero.
Significado:
*A cruz preta, no centro da rosa, lembra que em Jesus o próprio Deus vem ao nosso encontro, sacrificando sua vida e vencendo o poder da morte em nosso favor, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3.16).

* A cruz preta, envolvida pelo coração vermelho, significa que Cristo agiu na nossa vida através da cruz. A nossa vida recebe um novo sentido. Ele é o mais importante. A partir dele todas as coisas e pessoas recebem seus devidos lugares e seu valor. O coração nos faz recordar que é pela fé que somos justificados. A cor vemelha é símbolo do amor que se doa e reparte. Assim como Cristo nos amou, também os seus se amam uns aos outros. Assim como Cristo serve aos seus, eles servem uns aos outros, cada qual conforme o dom que recebeu (Gálatas 6.2).

* As cinco pétalas brancas assinalam que, pela fé, atuante em prol da justiça e da paz, temos alegria, consolo e paz com Deus, conosco mesmos e uns com os outros. Quando a cruz de Cristo tem lugar em nossa vida, ocorre uma transformação. O reino de Deus se faz presente com todas as suas promessas.

*O fundo azul lembra o céu e aponta para a fidelidade de Deus. Deus está conosco. Em Cristo ele nos veio salvar e unir em comunidade. Podemos viver com e para Deus, como sinais de seu reino, já aqui e agora. A cor azul é também esperança no futuro, pois lembra a eternidade.

* O anel dourado lembra o ouro, metal mais precioso. Este anel representa as dádivas que recebemos através da cruz e ressurreição de Jesus. Pela fé recebemos perdão, comunhão, esperança, sentido de vida, o pão de cada dia... Aponta também para aquilo que, na eternidade, nos será dado: alegria sem fim, satisfação de todas as nossas necessidades e anseios. Então veremos, face a face, aquele no qual temos crido.

Fonte: http://www.luteranos.com.br/categories/Quem-Somos/Nossa-Hist%F3ria/Martim-Lutero/Rosa-de-Lutero/

Muito mais que um símbolo religioso a Rosa pra mim é uma marca registrada, onde professo minhas crenças.
Diz a Bíblia Sagrada: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (I Coríntios 3:16–17)
A lógica é a seguinte meu corpo é um templo de Deus, todo templo tem uma uma placa o identificando, logo o meu 'templo' precisava de uma placa, por isso a tatuagem!

domingo, 23 de agosto de 2009

Ser estranha²

Após conversar com meu caro Vini e refletir sobre os conceitos de normalidade, lembrei de um termo que se usava há pouco tempo: 'Pessoas ditas normais', seriam aquelas sem deficiência aparente, não se usa mais pq subentende-se que as pessoas com deficiência seriam 'anormais'.
Fiquei pensando que se as pessoas sem deficiência aparente são ditas normais, eu não me encaixo, pq revisitando minha caminhada até aqui eu me considero uma 'dita estranha', vou contextualizar com alguns exemplos que me levaram a esta conclusão:
- Fui uma criança que só mamou no peito, nunca aceitei a mamadeira;
- Fui criada pela minha mão, não fui pra 'creches', no interior do Mato Grosso;
- Tem o história de eu ter 'brincado' com uma jararaca com 6 meses de idade, eu já gostava do riscado desde sempre. :))))
- Quando nos mudamos pra Bento, estudei numa escola de sistema integral (ficava o dia todo na escola);
- Na 4ª série fiquei numa turma de repetentes, onde eu era a caçula e a única não repetente, a mais baixinha e a cdf; apanhei, mas acabei ficando amiga da menina que me batia, afinal se não pode com eles junte-se a eles, ganhei uma guarda-costas;
- Sempre me virei sozinha, pelas circunstâncias da vida cedo aprendi que eu tinha que ser independente, pois meus pais trabalhavam pra caramba pra nos sustentar;
- Cresci sabendo que não podia preocupar minha mãe, pq ela tem problemas cardíacos;
- 'Evitei' com muitos berros a separação de meus pais aos 7 anos, fui coagida a tal atitude, mas isso tb não importa;
- No ensino fundamental não era a menina mais bonita, mas tinha os melhores amigos, os meninos mais bonitos e legais. Como eu consegui isso? Eu contrabandeava Playboy pros meninos;P
- Aprendi a falar sobre sexo com eles, e assim o sexo masculino já não era algo tão distante, era algo apenas diferente;
- Tb tenho amigas desta época, mas o meninos é que deram mais trabalho pra fidelizar;
- Ganhei, com um dia de antecedência de presente de 11 anos o Arthur, irmão muito esperado, lindo, nunca vi um bebê tão lindo quanto ele, nasceu cabeludo e veio pra abalar as estruturas e mudar tudo. Hoje com 10 anos está entrando na pré-adolescência, não é mais o meu bebê fofinho, mas continua lindo;
- No início da 8ª série nos mudamos pro Mato Grosso, pra uma fazenda totalmente afastada, sem nenhum meio de locomoção, a não ser uma égua e um trator CBT tri velho. Foi o mês mais comprido da minha vida, hoje quando relembramos parece que foi um ano;
...

Continuarei este texto, agora tenho que secar o cabelo, afinal o climatempo ta dizendo que lá fora faz 12°, mas a sensação térmica é menor com toda certeza e eu tô me curando de uma infecção respiratória.
E também vou me arrumar pra ir ao culto, faz muito tempo que não vou e hoje é o dia.
Que Deus nos abençoe!
Votos de bom domingo

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Inclusão

Inclusão é um tema fascinante, aviso aos navegantes: vicia, depois de gostar, não se abandona mais.
Eu fui apresentada a este novo mundo pelas mãos de fada da Prof.ª Andréa Sonza - hoje doutora em acessibilidade na Web - em 2005, desde lá só tem aumentado meu amor pela causa.
Neste tempo todo pude desfazer certos mitos, como que pessoas com deficiência são coitadinhos, "lá vai o ceguinho", "coitado é doidinho", todos os inhos são horrendos. Ou então se pinta uma imagem de super heróis, algo que não engloba toda a classe, apenas alguns conseguem superar tudos e todos e aparecer na grande mídia.
A maioria das pessoas com deficiência são como nós (pessoas sem deficiência aparente), acordam, passam o dia enfrentando várias dificuldades e voltam pra casa no fim do dia.
Querem ter meios para uma vida digna!
O que é ter meio para uma vida digna e produtiva?
- É ser acolhido com respeito na rede escolar;
- É ser assistido pelo Estado, se necessário;
- É ter direito a laboralidade, com um ambiente de trabalho acessível e e suas individualidades respeitadas;
- É ter direito a livre locomoção, com espaços onde todos possam frequentar; etc.
É utópico esse pensamento?
Acredito com muita fé que não, acredito sim ser um processo histórico, hoje construímos um amanhã mais acessível, e um dia não precisaremos discutir Inclusão, pois ela será a realidade.
Vejo uma sociedade onde os prédios terão rampas e elevadores, onde as os jardins de infância tenham crianças conversando atraves da LIBRAS, correndo com cadeirantes, tateando os espaços com os coleguinhas cegos.
Enfim, pinto um belo quadro e gostaria muito que ele fosse exposto em breve, espero estar viva pra ver isso acontecer e desde já contribuir com meus conhecimentos e esforços.
Pense Inclusivo, pense em Educar para a Convivência.
Comece pela mudança do seu olhar, olhe o outro como igual na sua diferança!
E no caso de encontrar uma pessoa com deficiência pergunte: "Posso ajudar?" Ele lhe dirá se preciso for e a melhor forma de ajudá-lo.
Abraços inclusivos!!!!!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Infecção Respiratória e Fome

Vou começar pelo começo. (Viva Redundânciaaaa)
Venho há alguns dias com tosse e coriza, nada de anormal, considerando o clima da região da Serra Gaúcha, com suas inumeras oscilações climáticas.
Chá, anti-térmico, repouso e nebulização era o que vinha usando.
Ontem sai pra uma caminhada e dia estava muito frio, ao chegar em casa as coisas evoluiram, uma dor forte nos pulmões, isso me assustou, aguentei a noite, consegui dormir, mas tive muita febre.
Hoje era só passar o efeito do remédio e a dor nas costa voltava atróz. Comi algo pra poder tomar a medicação e um tomei um chá pra resfriado e voltei pra cama, tive que correr pro banheiro e vomitar, acho que foi em função da dor.
Mamãe deu basta e disse que iríamos ao médico.
Atendimento pelo SUS, conseguimos um médico muito bom que deu o diagnóstico de Infecção Respiratória, descartou a Gripe A. Escapei do porquinho!
Até aqui contemplei a 1ª parte do título, passemos a segunda.
Como disse que havia vomitado pela manhã e sai sem almoçar, as 13hs estava com muita fome.
Estávamos esperando o ônibus, diga-se de passagem que foi uma espera longíssima, pq o transporte público de Bento Gonçalves não é dos melhores. E a fome lá me perseguindo, tentamos um chicletinho, que me deu mais fome.
Essa sensação me fez refletir sobre as pessoas que passam fome no seu dia-a-dia.
Eu estava ali sentadinha, tinha a minha disposição a minha ótima mãe pra conversar, tinha um livro maravilhoso As Sandálias do Pescador de Morris West e um mp3 cheio das minha músicas prediletas, mas nada disso me atraía, não consegui me concentrar, a fome clama muito mais alto, ela se faz presente, não está nem ai para o que pensamos querer, o nosso corpo precisa de energia e simplesmente ele faz de tudo pra obter.
Eu, graças a Deus, nunca passei fome, Deus é muito generoso comigo e me deu pais super zelosos.
Comecei a pensar nas pessoas que convivem com essa situação no seu cotidiano.
O que me remeteu as políticas assistencialistas, que muitos condenam pelo abusos que alguns comentem, no entanto há uma população que realmente depende dessa ajuda. Devemos ensinar a pescar, mas como aprender estando com fome?
E não é só o Estado que tem que fazer algo, e eu como cidadã, como cristã o que estou fazendo pra minimizar isso?
E respondo: NADA, por enquanto.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Acordar


A batalha teve início, o celular despertou cantando 1 minuto de D'Black e NegraLi, mais um dia de aula pro senhor Arthurzinho, aliás dormiu comigo pq ta frio, pelo menos a desculpa preferida.
Segui-se o diálogo:
Eu: Arthur, acorda.
Arthur: Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Eu (passanda a mão em seus cabelos) : Arthurzinho acorda! Ta na hora.
Arthur: Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Eu (sacudindo ele): Arthurrrrrrrrrr, é sério, acorda! Levanta agora que dá tempo de tomar café.
Arthur: Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Eu (sem paciência e sacudindo mesmo): Acordaaa!!!! Arthur acorda!
Arthur: Para pai.
Eu (ouvindo passos na casa): Manhê ajuda aqui, não consigo acordar o Arthur.
Mãe: Eu ouvi!
Arthur (vira-se pro outro lado): Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Mãe: Ele dormiu com a calça jeans?
Eu: Sim, eu tive que arrastá-lo pra cama, ele dormiu no sofá assistindo tv - essas crianças viciadas, onde que já se viu dormir na frente da tv! hehe
Mãe (muito zelosa, catando o uniforme): E que camiseta ela ta vestindo?
Eu: A do Esportivo (Time de Futebol aqui de Bento). Arthur acorda, a mãe ta ai.
Arthur: Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Mãe: Quer que chame teu pai?
Eu (levanto e vou ao banheiro, pra deixar eles sozinhos - não gosto de cenas fortes!).
Mãe (continua firme forte, lutando pela educação de seu filho): Vamos Arthur, acorda.
Arthur: Eu tô cansadoooooooo. (Quanto tempo de férias ele teve mesmo?)
Mãe: As aulas começaram ontem e você já ta cansado?
Eu (do banheiro eu ouço o pai se manifestar, com sua incrível sabedoria)
Pai: Amanha a Nida(minha mãe) vai colocar ordem nessa bagaça! Todo mundo na cama as 22hs, inclusive você Jéssica!
Eu (no vaso e refletindo): Alouuuu eu tenho 21 anos, o que vocês podiam fazer pela minha educação ta feito, e fizeram bem. Sou uma moça bem educadinha até! Até uma faculdade de Pedagogia eu larguei, sou uma técnica em informática meia boca.
Esse gurizinho de 10 anos que manda e desmanda nesse barraco, na minha época não era assim.
A Jéssiquinha levantava tri cedinho, bem quietinha pra não acordar ninguém, se vestia e só iam perceber que eu tinha acordado pra ir pro colégio quando ia dar tchau e pedir a benção!
Os tempos mudaram, agora somos em 3 tentando acordar o mocinho, pra começar ele é homem, tá na genética ser dependente e depois ele foi mimado mesmo, agora quem pariu que crie.
Peço a Deus que Ele nos dê sabedoria para encaminhá-lo pelo caminhos da vida e ensinar que não haverá sempre uma mãe amavél nos acordando.
Resumo da ópera com um jeito que só mãe tem, ela fez ele se vestir e deixou ele dormir até 7:15 (a escola é na rua de casa! que sorte bagual) e me colocou pra viagiar o sono do bichinho, e eu tô aqui escrevendo, pq não resisti.
Despertou, momentos de tensão.
Arthur: quero ver se ta na hora mesmo.
Eu (alcanço o celular)
Ele levantouuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, ganhamos a batalha.
Catou a mochila.
Arthur: Tchau mana, beijo estralado na bochecha.
Agora pergunto tem como ficar brava? Mesmo ele dando tanto trabalho.
E respondo: Não dá e nem vale a pena.
Agora nos preparemos pra quando ele chegar.
Será outra batalha: O Almoço

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Continuando a sessão remember

Encontrei meu poema predileto, foi paixão a primeira leitura, desde idos tempos quando o leio é um momento mágico.

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu uma lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar.

E, no desvário seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu.
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...